O filho da vizinha já engatinha, o priminho também, e o seu bebê ainda prefere ficar sentado observando tudo. É natural que essa comparação traga dúvida e até um pouco de ansiedade.
A boa notícia é que engatinhar acontece em uma faixa de idade bem ampla, de jeitos diferentes, e alguns bebês nem passam por essa fase. Neste texto, a equipe da Santa Clínica explica o que é esperado, o que merece atenção e como você pode ajudar o seu bebê em casa.
Cada bebê tem seu ritmo
O desenvolvimento motor não segue um relógio. Um estudo da Organização Mundial da Saúde com crianças de cinco países mostrou que bebês saudáveis começam a engatinhar entre 5 e 13 meses e meio, aproximadamente. É uma janela de mais de 8 meses, a mais larga entre os marcos motores do primeiro ano.
No mesmo estudo, cerca de 4% das crianças nunca engatinharam de mãos e joelhos e seguiram se desenvolvendo normalmente. Por isso, desde 2022 o CDC e a Academia Americana de Pediatria deixaram de usar o engatinhar como marco nas suas listas de acompanhamento.
As conquistas também podem vir em ordens diferentes. Há bebês que ficam de pé com apoio antes de engatinhar, e outros que vão direto para os primeiros passos. Comparar com outros bebês costuma trazer mais ansiedade do que respostas.
Engatinhar tem vários jeitos
Quando pensamos em engatinhar, imaginamos o bebê de mãos e joelhos. Mas cada criança encontra a sua forma de sair do lugar. Alguns bebês se deslocam assim:
- De mãos e joelhos, o jeito mais conhecido.
- Arrastando de barriga, puxando o corpo com os braços.
- Deslizando sentado, empurrando o chão com as mãos ou os pés.
- Rolando pelo chão até chegar onde quer.
E alguns passam rapidinho por essa fase. O mais importante é que o bebê queira explorar e consiga, do jeito dele, alcançar o que deseja.
O que importa nessa fase
Mais do que engatinhar, vale olhar para as habilidades que o bebê vai construindo no primeiro ano:
- Sustentar a cabeça e o tronco com firmeza. É a base para sentar, girar e se apoiar.
- Rolar para os dois lados. Mostra que o bebê usa bem os dois lados do corpo.
- Apoiar o peso nos braços quando está de bruços. Fortalece ombros, braços e costas.
- Sentar e se mover para alcançar o que deseja. Sinal de equilíbrio e de vontade de explorar.
Essas conquistas preparam o corpo para os próximos movimentos, como ficar em pé e andar.
Quando vale observar melhor
Nenhum sinal isolado é diagnóstico. Mas vale conversar com um profissional se o bebê:
- Parece usar mais um lado do corpo do que o outro, por exemplo, sempre se apoia ou alcança com a mesma mão.
- Mostra pouco interesse em se movimentar e explorar, mesmo com brinquedos por perto.
- Parece muito “durinho” ou muito “molinho” no colo, com o corpo rígido ou largado demais.
- Deixa de fazer algo que já fazia, como rolar ou sentar.
Observar com calma ajuda a entender o que cada bebê precisa. Anote o que você percebe e leve para a consulta: isso ajuda muito o profissional.
Brincar no chão também estimula
Um espaço seguro no chão é um convite para o bebê se movimentar. Algumas ideias simples para o dia a dia:
- Tempo de bruços, sempre com supervisão. Comece com poucos minutos e aumente aos poucos, sempre com o bebê acordado.
- Brinquedos um pouco fora do alcance. O bebê ganha um motivo para se esticar, girar e se deslocar.
- Almofadas para explorar alturas. Pequenos obstáculos ajudam a treinar força e equilíbrio.
- Você no chão, brincando junto. Seu rosto e sua voz são o melhor incentivo.
Prefira um tapete firme a berço, carrinho ou cadeirinha por longos períodos. E nunca deixe o bebê sozinho no chão com almofadas ou objetos pequenos por perto.
Quando procurar um especialista
Sempre que surgir uma dúvida. Você conhece seu bebê melhor do que ninguém, e a sua percepção merece ser ouvida.
Uma avaliação com fisioterapeuta especializado em desenvolvimento infantil traz clareza e orientações para o dia a dia. Na maioria das vezes, a consulta tranquiliza a família. Quando existe alguma dificuldade, perceber cedo faz diferença.
Na Santa Clínica, cada bebê é acompanhado de forma individual, com acolhimento e respeito ao seu ritmo.
Vamos conversar? Fale com a gente no WhatsApp: (47) 98480-4003.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação do pediatra ou de outro profissional de saúde.
Perguntas frequentes
Com quantos meses o bebê começa a engatinhar? Entre 5 e 13 meses e meio, aproximadamente, segundo a OMS. A maioria começa no segundo semestre de vida.
É normal o bebê não engatinhar? Pode ser. Cerca de 4% dos bebês saudáveis não engatinham de mãos e joelhos e se deslocam de outro jeito ou vão direto para andar.
Andador ajuda o bebê a se desenvolver? Não. A Sociedade Brasileira de Pediatria desaconselha o andador, pelo risco de acidentes. O chão seguro é o melhor lugar para o bebê treinar.
Com quem falar se eu tiver dúvida? Com o pediatra do seu bebê ou com um fisioterapeuta especializado em desenvolvimento infantil.