Ficar em pé muda tudo: a importância da verticalização na paralisia cerebral
Quando pensamos em colocar uma criança em pé, é comum associarmos essa posição à preparação para caminhar. Porém, especialmente nas crianças com paralisia cerebral, a verticalização pode ter objetivos muito mais amplos do que a aquisição da marcha.
Algumas crianças apresentam alterações de tônus, controle postural e mobilidade que dificultam ou impossibilitam permanecer em pé de forma independente. Como consequência, podem passar grande parte do dia sentadas ou deitadas, com pouca descarga de peso sobre os membros inferiores.
Nesses casos, recursos de tecnologia assistiva, como parapódios e standing frames, podem permitir que a criança permaneça em posição vertical com o suporte necessário e de maneira segura.
Por que ficar em pé é tão importante?
A posição ortostática proporciona estímulos diferentes daqueles recebidos quando a criança permanece sentada ou deitada.
Um dos benefícios mais importantes está relacionado ao sistema musculoesquelético. A descarga de peso nos membros inferiores oferece estímulos mecânicos aos ossos e pode contribuir para a manutenção da saúde óssea. Isso é especialmente relevante em crianças com mobilidade reduzida, que podem apresentar maior risco de baixa densidade mineral óssea e fraturas.
A verticalização também pode contribuir para o alinhamento postural, manutenção da amplitude de movimento e manejo de alterações musculoesqueléticas associadas à permanência prolongada em determinadas posições.
Mas os benefícios não ficam restritos aos músculos e ossos.
Benefícios para diferentes sistemas do organismo
Quando adequadamente indicada, a posição vertical pode favorecer aspectos relacionados à circulação, respiração e funcionamento gastrointestinal. A mudança frequente de posição também reduz o tempo que a criança permanece continuamente sentada ou deitada.
Além dos aspectos físicos, existe uma dimensão extremamente importante: participação.
Ao ficar em pé, a criança pode estar na mesma altura de outras crianças e adultos em determinadas atividades. Isso modifica sua perspectiva do ambiente e pode facilitar o alcance e o uso das mãos, a interação social e a participação em brincadeiras, atividades escolares e situações da rotina.
Por isso, verticalizar uma criança não significa apenas trabalhar uma habilidade motora.
É proporcionar novas possibilidades de experimentar e participar do mundo ao seu redor.
Toda criança com paralisia cerebral deve usar parapódio?
Não necessariamente.
A indicação do equipamento deve considerar as características individuais da criança, incluindo seu nível de função motora, controle de tronco e cabeça, amplitude de movimento, alinhamento musculoesquelético, presença de deformidades e outros aspectos clínicos.
A classificação pelo GMFCS (Gross Motor Function Classification System) também pode fazer parte dessa avaliação, ajudando a equipe a compreender o nível de função motora grossa da criança.
O tipo de equipamento, posicionamento, frequência e tempo de permanência em pé precisam ser individualizados. Em muitos casos, a adaptação acontece progressivamente, respeitando a tolerância e as respostas da criança.
Por isso, a utilização de parapódios ou standing frames deve acontecer com avaliação e acompanhamento de profissionais capacitados e integrada ao planejamento terapêutico da criança.
Ficar em pé vai fazer a criança caminhar?
Esse é um ponto importante.
A verticalização não deve ser apresentada como garantia de aquisição da marcha. Uma criança pode se beneficiar muito da posição em pé mesmo que caminhar de forma independente não seja um objetivo funcional possível naquele momento.
Os objetivos podem estar relacionados à saúde óssea, postura, mobilidade, conforto, participação, interação social e oportunidades de exploração do ambiente.
Ou seja: o benefício de ficar em pé não depende exclusivamente de aprender a andar.
Na Santa Clínica, cada criança é avaliada individualmente para que os recursos e estratégias utilizados façam sentido para suas necessidades e seus objetivos funcionais.
Ficar em pé não é somente sobre os pés. É sobre oferecer ao corpo novas experiências e à criança novas possibilidades de participação.
Santa Clínica Centro de Especialidades
Evolução todo dia! 💙